VOCÊ GOSTA DE LER?

Leitura é muito mais do que decodificar palavras. É ir muito além! É voar sem destino pelas páginas de um livro.
Devemos observar várias formas de arte, expressas em textos escritos ou não (verbal ou não verbal) e, delas tirar lições, reflexões, ou mesmo divesão. O que não podemos é sairmos indiferentes, pensando: não entendi nada! Ou fingindo ter entendido tudo, sem no entanto, ter compreendido o que o emissor realmente disse.
Muitas mensagens, realmente são de entendimento dúbio, ou seja, dá margens a mais de uma interpretação.
O que não se deve, é não entender nada! Se por acaso isso acontercer, e não é nada depreciativo assumir isso, devemos buscar mais informações e, fazer com que de alguma forma, essa leitura acrescente algo de positivo em nossa vida.

Leia, vá ao cinema, museus, shows, teatros, ouça músicas, mas reflita, pense!
Se não tiver argumentos bem fundamentados, cale-se e vá aprender mais.


"NÃO TENHO UM NOVO CAMINHO. O QUE TENHO É UM NOVO JEITO DE CAMINHAR." (Thiago de Melo)


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

AZUL DA COR DO MAR - nanoconto (Adalberto Antônio de Lima)


Fernão olhou de soslaio. Lia muito, mas nunca pensara em escrever livros. Poesia nunca fez. Aventuravafazer rimas.   Aborrecia-se com os colegas que zombavam de seu nome: “Fernão Capelo tem pena de gaivota no cabelo.” As afrontas, embora ingênuas, feriam sua autoestima, mas, apesar dessas lembranças, sentia saudade dos tempos de colégio no Joaquim Nabuco.  A galhofa que lhe faziam do  nome, deixou marcas que permaneceram na vida adulta. Ele só se apresenta como Fernão ou como Noronha. Nunca Fernão de Noronha  nem Noronha Capelo, para evitar associação ao pássaro de Bach. Perdera, no entanto, o apelido quando voltou com quinze anos para o Rio de Janeiro.

Inquieto, Fernão acionou o serviço de bordo. A comissária aproximou-se:

— Pois não, deseja alguma coisa, senhor?

— Estamos voando baixo, disse ele.

— O Senhor está enganado! Estamos em nível de cruzeiro, a trinta e seis mil pés.

— Vejo o azul muito próximo.

— Sim, o céu é lindo porque é azul da cor do mar. Fique tranquilo, o comandante Hemor é muito experiente. Qualquer dúvida pode chamar-me novamente.

Aproveitando o clarão do relâmpago, Fernão olhou através da janela, captou a imagem de fora e reconstruiu a frase da aeromoça: “O céu é lindo porque é azul.” Refez várias vezes... “O céu é lindo porque é azul da cor do mar”. 

— É isso, o mar é azul da cor do céu. Vejo o mar debaixo de meus pés.

Um comentário:

Adalberto Lima disse...

Bom me ver publicado aqui.