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Leitura é muito mais do que decodificar palavras. É ir muito além! É voar sem destino pelas páginas de um livro.
Devemos observar várias formas de arte, expressas em textos escritos ou não (verbal ou não verbal) e, delas tirar lições, reflexões, ou mesmo divesão. O que não podemos é sairmos indiferentes, pensando: não entendi nada! Ou fingindo ter entendido tudo, sem no entanto, ter compreendido o que o emissor realmente disse.
Muitas mensagens, realmente são de entendimento dúbio, ou seja, dá margens a mais de uma interpretação.
O que não se deve, é não entender nada! Se por acaso isso acontercer, e não é nada depreciativo assumir isso, devemos buscar mais informações e, fazer com que de alguma forma, essa leitura acrescente algo de positivo em nossa vida.

Leia, vá ao cinema, museus, shows, teatros, ouça músicas, mas reflita, pense!
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"NÃO TENHO UM NOVO CAMINHO. O QUE TENHO É UM NOVO JEITO DE CAMINHAR." (Thiago de Melo)


domingo, 1 de maio de 2011

Lei de resíduos cria oportunidades a quem vive de reciclagem no Brasil



A nova lei pode transformar o catador num empreendedor da reciclagem.
Hoje, apenas 40 mil recicladores estão organizados em cooperativas.

A política nacional de resíduos sólidos estabelece a responsabilidade compartilhada. Os fabricantes devem reciclar o que produzem. A lei também abre uma janela de oportunidades para quem vive da reciclagem, que são um milhão de brasileiros. Hoje, apenas 40 mil estão organizados em cooperativas.
Todos os dias, o mutirão da coleta seletiva passa de casa em casa nos bairros de Sorocaba, interior de são Paulo.
“Eu estou entregando caixa, plástico e papel. Tem que separar, tem que colaborar”, diz a dona de casa Eni Maria Lima.
“Depois que eles começaram a passar, não deu mais problema. Tem a hora certa para passar. Então, ficou legal mesmo. Eu separo tudo que eu posso separar, ele leva e eu fico feliz”, explica a dona de casa Maria Creusa Domotto.
“Uma única pessoa, ao longo da sua vida, vai gerar uma quantidade de lixo que enche um apartamento de 50 metros quadrados, com três metros de pé direito até o teto com lixo. Cinco famílias de quatro pessoas vão lotar um prédio de dez andares, com dois apartamentos por andar de 50 metros quadrados durante as suas vidas. Um prédio inteiro para apenas 20 pessoas”, calcula Hélio Mattar, presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente.
O caminhão que transporta o material é da rede solidária Cata-Vida, um projeto social que reúne dez cooperativas e mais de 200 catadores em oito cidades paulistas. Trabalhando em rede, os catadores se transformam em agentes ambientais e ganham qualidade de vida.
Maria Cristina Viana, a Tina, é presidente da Acamar, cooperativa da rede Cata-Vida. Viúva e com quatro filhos, ela encontrou na reciclagem a fonte de renda para sustentar a família.
“Quando você trabalha dentro do lixão, não é você que está ali. Não é um ser humano. Você está disputando o que está ali com os urubus e com vários bichos ali. É isso. Não é um trabalho para o ser humano. Mas a cooperativa sim. A gente aprende muito. Eu aprendi a ter dignidade e dar dignidade para as pessoas”, explica Tina.
Com o primeiro pagamento que teve na cooperativa Tina consegui comprar o tênis para o filho. “Tudo que tenho hoje é meu esforço e meu suor, mas um suor digno e limpo. Eu nunca precisei fazer nada, graças a Deus, a não ser o meu esforço, o meu trabalho para ganhar o meu dinheiro e cuidar da minha família”, diz.
“Eu acho um trabalho muito bom para ela. Não tenho vergonha do que ela faz. Acho muito legal”, diz Luana de Oliveira, filha da Tina.
“A figura do catador das cooperativas aparece nesse aspecto econômico de forma bem marcante. Então, nós temos não apenas um benefício ambiental, mas também econômico e social porque gera oportunidades de trabalho e renda para uma parte da população que está excluída. Tanto que o Brasil é hoje modelo para outros países em desenvolvimento que tem desigualdade social”, André Vilhena, do Compromisso Empresarial para a Reciclagem.
A nova lei de resíduos sólidos, aprovada em novembro do ano passado, pode transformar o catador num empreendedor da reciclagem. Em 1994, eram 150. No ano passado, já somavam um milhão em todo o país. Apenas 40 mil estão organizados em cooperativas.
“Não é uma parcela pequena da população. Se a gente pensar nos catadores, nos familiares dos catadores e nos que estão no entorno, nós estamos transformando comunidades com isso”, esclarece Mattar.
Quatrocentos e quarenta municípios do Brasil fazem a reciclagem do lixo. Somam apenas 8% das cidades brasileiras.
“É um número baixo ainda, apesar de estar mais concentrado nas cidades que geram mais resíduos. Mas a gente agora vai precisar dar um salto nisso daí porque se não houver o engajamento da prefeitura o processo fica capenga”, avalia André Vilhena.
Esse é o maior desafio para o país que precisa acabar com os lixões em quatro anos.
“A inexistência de aterros sanitários é uma das principais causas de doenças que chegam ao sistema público de saúde. Aquele lixo escorre para dentro da terra, chega ao lençol freático, polui a água e essa água vai alimentar aproximadamente 20 milhões de pessoas no Brasil que não têm água potável para consumir no dia a dia”, alerta Hélio Mattar.
Para deixar um cenário como esse no passado será preciso investir cada vez mais nas cooperativas para que trabalhem em rede. A Cata-Vida recicla 200 toneladas de lixo por mês.
“A principal mudança no lixo é pensar que lixo não é lixo. Lixo é resíduo. E resíduo tem valor. Pode ser reciclado e tem benefícios econômicos, sociais, ambientais e individuais ao fazer a reciclagem”, explica Helio Mattar.
“A geração do lixo eletrônico no Brasil se acentuou mais nos últimos cinco anos. Então, é um assunto relativamente novo no país, com o crescimento econômico do país. Com o aumento do poder aquisitivo da população, está chegando mais equipamento eletrônico no lixo e com mais velocidade”, diz André Vilhena.
Em São Paulo, a Coopermiti é especializada na reciclagem de eletrônicos. Os produtos de doações vão para a triagem. Depois, são revendidos.
O seu José, que dirige o caminhão da coleta, aproveitou muita coisa. “Eu já levei uma televisão de 20 polegadas que estava só com a caixa rachada, um vídeo cassete, uma máquina de lavar e um computador completo. Todos os equipamentos estão funcionando”, avisa.
A cooperativa usa o lixo eletrônico para capacitar profissionalmente o cooperado junto com a educação ambiental e tentam levar para escolas e para a sociedade a experiência na reciclagem.
Pela nova política nacional, as empresas também passam a ter responsabilidade pelos produtos após as vendas.
No caso das pilhas, os fabricantes contrataram uma indústria, em São Paulo, para fazer o trabalho da reciclagem. Por ano, são vendidos mais de um bilhão de pilhas e baterias no Brasil. Esse é o único lugar que recicla pilhas no Brasil e para onde vão apenas 2% de todas as pilhas consumidas no país.
“Essa pilha jogada na natureza vai se degradar muito mais rapidamente do que se ela tiver guardadinha. Então, ela contém produto químico e metais pesados, acumulativos ao organismo, que contaminarão o solo, as águas superficiais e acabarão contaminando também as águas subterrâneas”, alerta Fátima Santos, gerente comercial.
O material é queimado a uma temperatura de 1,3 mil graus.
 
Edição do dia 30/04/2011
http://g1.globo.com/acao/noticia/2011/04/lei-de-residuos-cria-oportunidades-quem-vivem-de-reciclagem-no-brasil.html

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